quinta-feira, 14 de julho de 2011

LÍNGUA PORTUGUESA




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In:Público
14 de julho de 2011

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quarta-feira, 4 de agosto de 2010


Neste Alentejo rural,
sitiado em cidades,
já não se ouve o zurrar do burro,
nem o chiar ronceiro da carroça.

Chega-nos de longe
o zurrar da ministra.
Pêlo escovado,
dentadura perfeita,
só lhe faltam as orelhas,
e o rabo a dar a dar.

Ouvimos a política asinina.
Sem sustentação neste tempo e lugar.
A oferta envenenada e populista,
os pressupostos inexistentes,
as promessas para não cumprir.

Ataque, prepotente e cobarde,
ou manobra de diversão?

Oportunidade de ladrão,
que, em tempo de férias,
nos entra pela casa dentro.
E lança a provocação
sem receio do contraditório.

Estratégia de carteirista,
que parece oferecer com uma mão,
para poder roubar com a outra.
Oferece acabar com os exames
(os alunos já nem precisam estudar...)
para poder acabar com a escola pública.
Quem quiser educação, a sério,
que pague ao privado...

E o futuro, já negro,
dos nossos filhos, de Portugal,
faz-se cada vez mais negro.


M.

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quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

UMA ESCOLA DE MERDA NA CIDADE DE PORTALEGRE



Alunos de escola de Portalegre protestam contra falta de climatização nas salas

Alunos da Escola Secundária Mouzinho da Silveira, em Portalegre, protestaram hoje à porta do estabelecimento de ensino e pelas ruas da cidade contra a falta de climatização nas salas de aulas.


Em declarações aos jornalistas, Humberto Chora, professor, mostrou-se “solidário” com os estudantes, uma vez que a escola foi recentemente remodelada, mas “não está a oferecer” as condições necessárias para os docentes e alunos. “Nós [professores] sentimos esta situação. Eu já tive alunos que sentiam muito frio e incapacidade para trabalhar porque as mãos estavam completamente geladas e houve também alunos que tiveram de abandonar as salas porque as condições não eram as ideais”, declarou.

Andreia Pereira, aluna do estabelecimento de ensino, explicou que aderiu ao protesto levado a cabo pelos colegas porque a “escola não tem condições”. “Os balneários têm água gelada e não temos fichas eléctricas para ligar os secadores de cabelo, nas salas de aulas chove e temos ar quente e frio ao mesmo tempo, entre outros problemas”, declarou. “Nós até chegamos a trazer mantas para a escola para estarmos tapados nas aulas. Por causa do frio que se faz sentir aqui, até ando um pouco doente”, revelou ainda a aluna.

Em declarações aos jornalistas, a directora da Escola Secundária Mouzinho da Silveira, Arlanda Gouveia, considerou que o protesto dos alunos “não faz muito sentido”, uma vez que o problema “começou” hoje a ser resolvido. “O protesto não faz muito sentido porque as condições começaram a ser alteradas. Desde Setembro até agora, já deveria ter sido feita alguma coisa, mas, efectivamente, temos aqui hoje o staff da parte das climatizações para resolver o problema”, sustentou.

Arlanda Gouveia revelou ainda que ponderou para hoje o encerramento daquele estabelecimento de ensino devido aos problemas relacionados com a climatização, mas recuou depois de obter a garantia, por parte do director Regional de Educação do Alentejo, de que o problema seria resolvido.

Com mais de 600 alunos, a Escola Secundária Mouzinho da Silveira foi recentemente reabilitada, num investimento que “ultrapassou largamente” os 4,5 milhões de euros, lembrou. Para o final da tarde de hoje está programada uma reunião entre vários agentes ligados à valência de climatização da escola, para que seja estabelecido um “prazo definitivo” para que o problema venha a ser ultrapassado.


LUSA

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terça-feira, 29 de setembro de 2009

RACISMO EM ESCOLA DE MONFORTE?

DIRECÇÃO REGIONAL DE EDUCAÇÃO DO ALENTEJO

&

COORDENADORA DE APOIO

ÀS ESCOLAS NO NORTE ALENTEJO


METIDOS EM NOVA BRONCA


DEPOIS DO

MAGALHÃES EM CASTELO DE VIDE


AGORA

RACISMO

EM

MONFORTE


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terça-feira, 8 de setembro de 2009

PORTUGAL E A EDUCAÇÃO...




Em média, os jovens com formação superior são mais afectados pelo desemprego de longa duração em Portugal do que nos restantes países da OCDE.
Os jovens que não completaram o ensino secundário… também.
O trabalho qualificado é pior pago do que na média da OCDE.
O não qualificado... também.
Mas nada de pessimismos.
Os dados são de 2007, antes da chuva de diplomas do modelo de qualificação pela via administrativa adoptado pelo actual Governo.
Hoje, dois anos depois, Portugal é a terra das oportunidades.
As novas.


F.T.

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terça-feira, 1 de setembro de 2009

O MELHOR DO MUNDO SÃO AS CRIANÇAS

terça-feira, 28 de abril de 2009

A VERGONHA DO PARTIDO SOCIALISTA VALE ZERO


O Ministério da Educação pediu ao Agrupamento de Escolas de Castelo de Vide autorização para filmar crianças a utilizar o Magalhães.
Mas, segundo conta hoje o Rádio Clube e o jornal “24 Horas”, as imagens acabaram por passar num tempo de antena do Partido Socialista, na RTP, no passado dia 22.
Os pais pediram já uma reunião na escola, a exigir uma explicação e a escola por sua vez, pediu explicações ao ministério, como adiantou ao Rádio Clube Ana Travassos, presidente do Conselho Executivo do Agrupamento de Escolas de Castelo de Vide.



O meu melhor amigo é o Magalhães.

Aquela criancinha adorável seguramente que votaria em quem lhe deu o melhor amigo.

No Estado.

Não, no PS.

Não é a mesma coisa?

A escola poderia ensinar as diferenças.

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sexta-feira, 20 de março de 2009

O MAGALHÃES

Para muita gente, o Magalhães é o supra-sumo da genialidade lusitana. O primeiro-ministro, a Lurdinhas ministra e ajudantes assim o proclamam. Em compensação, também para muitos, o Magalhães não passa de um computadorzinho escolar, nada mais.

O sociólogo António Barreto proclama em voz alta: O Magalhães é o maior assassino da leitura, veja-se revista LER, número de Março. A António Barreto podemos creditar obra de alta qualidade, serenas reflexões sobre a sociedade portuguesa e grande objectividade nas análises. Pois bem, o seu comentário não suscitou resposta por parte dos responsáveis governamentais, nem daquele pitoresco e falador presidente da Confederação de Pais, o tal que pretende as Escolas abertas doze horas por dia, a fim de os paizinhos poderem assar cabritos nos pátios, no intervalo de umas jogatanas.

Ora, os progenitores estão fulos por os computadores entregues aos filhos não virem preparados para poderem ramboiar através do espaço como pretendem. Por assim ser estão a remeter os Magalhães para as Escolas pedindo o seu conserto, os professores respondem não serem técnicos informáticos e a festa continua.

Se são questionados, os responsáveis respondem dentro da toleima proverbial de minimizarem os problemas, enquanto os secretários de Estado, todos rebarbativos e formais, numa linguagem a imitar o malhador Santos Silva culpam os sindicatos pelo clamor contra a incompetência.

Sei por experiência própria quão difícil é um adulto sair do lote dos info-excluídos, também sei das extraordinárias capacidades dos computadores em nos facilitarem a vida e da sua indispensabilidade nos tempos correntes, a partir daí a máquina não pode suprir a falta de estudo e de leituras.

O violento desabafo de António Barreto resulta da constatação do continuado aumento da incompetência de mulheres e homens em escreverem e interpretarem adequadamente dada a sua relutância em fruírem a leitura. Mesmo na esfera da leitura utilitária os derrames existentes acompanhados pela continuada prática de exercícios para inglês ver acabarão por gerar uma multidão de iletrados.

A continuarmos assim – e vamos continuar – a desconfiança latente pelos homens de letras vai aumentar, não tardando muito a serem tolerados a custo, já faltou mais, até porque os bobos movimentam-se bem nesta terra de truques a contemplarem especuladores e dirigentes semi-analfabetos esperançados em que o Magalhães faça o milagre de conceder sabedoria a meninos e paizinhos.

A.F.

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sexta-feira, 6 de março de 2009

O MAGALHÃES...

domingo, 22 de fevereiro de 2009

PÉROLA SOCIALISTA...

Quem é o autor (M/F) da seguinte pérola que se pode ler num recente documento oficial:

Sendo certo que muitos docentes não se aceitam o uso dos alunos nesta atitude inaceitável (...) ?



Amplie a imagem para ler na integra


C.M.R.

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quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

TOMADA DE POSIÇÃO DOS PROFESSORES DO AGRUPAMENTO DE ESCOLAS Nº 1 JOSÉ RÉGIO DE PORTALEGRE

Exma. Sra. Presidente da Comissão Executiva Provisória

Os professores e educadores do Agrupamento nº1 de Escolas de Portalegre, reunidos em assembleia no dia 28 de Janeiro de 2009, reiteram a sua anterior tomada de posição, em plenário de 26 de Novembro, insistindo na suspensão do actual Modelo de Avaliação de Desempenho Docente, que continuam a recusar, não obstante as mais recentes simplificações anunciadas e publicadas pelo Ministério da Educação, por considerarem o seguinte:

A necessidade sentida pelo Governo, na sequência das enormes manifestações de descontentamento levadas a cabo pela quase totalidade da classe docente, de alterações sucessivas do Modelo de Avaliação, mais não é do que um reconhecimento inequívoco da sua inadequação pedagógica e inaplicabilidade.

O modelo em causa não promove a melhoria das práticas, chegando ao ponto de tornar opcional o essencial da profissão docente: a sua componente científico - pedagógica.

As alterações pontuais que foram introduzidas ao Modelo de Avaliação não alteraram, por um lado, a filosofia que lhe está subjacente, nem o tornaram mais exequível, por outro. Este documento insiste em não prever o cariz formativo da avaliação, não promovendo a melhoria das práticas, centrado que está na seriação de professores para efeitos de gestão de carreira. Trata-se, na prática, de mudanças meramente superficiais, nuns casos, e apenas temporárias, noutros.

A exequibilidade do processo está desde logo comprometida pela concentração de competências nos Presidentes dos Conselhos Executivos.

Algumas alterações propostas pelo Governo mantêm o essencial do Modelo, nomeadamente alguns dos aspectos mais contestados, como a divisão da carreira em professores e professores titulares, e a existência de quotas para Excelente e Muito Bom, que, por vedarem a progressão a muitos docentes de elevado profissionalismo, desvirtua assim qualquer perspectiva dos docentes verem reconhecidos os seus efectivos méritos, capacidades e investimento na Carreira.

Outras alterações, como o recuo na consideração das classificações dos alunos e/ou abandono escolar destes, para efeitos de avaliação da prática docente, são meramente conjunturais, tendo sido afirmado que seriam posteriormente retomados, em anos lectivos próximos.

Para mais, consideram que a definição e o cumprimento dos Objectivos Individuais, a cerca de seis meses do final do ano lectivo, sendo que servirão para qualificar o trabalho realizado por um professor nos dois últimos anos, é uma solução precipitada que não preenche os requisitos mínimos de transparência, justiça e honestidade intelectual.

Além destes factores, a implementação do Modelo de Avaliação imposto pelo Governo significa a aceitação tácita do ECD, que promove a divisão artificial da carreira em categorias e que a esmagadora maioria dos docentes contesta.

Acontece que os docentes deste agrupamento não aceitam uma solução apenas porque ela se apresenta aparentemente mais simples e fácil. Pelo contrário, reafirmam que não abdicam do seu direito a ser avaliados na sua prática lectiva e no seu desempenho profissional de forma séria, justa e competente, com respeito pelos princípios de igualdade, equidade e legalidade, de forma a ver reconhecida a sua competência e preservada a sua honra e dignidade profissionais.

Assim, os professores do Agrupamento nº1 de Escolas de Portalegre, coerentes com todas as tomadas de posição que têm assumido ao longo deste processo, reafirmam suspender a sua participação em todos os procedimentos relacionados com a aplicação dos Decretos Regulamentares 2/2008 e 1-A/2009, recusando totalmente a entrega dos seus Objectivos Individuais no prazo estabelecido pelo órgão de gestão, e à semelhança do que tem vindo a suceder em centenas de Escolas e Agrupamentos de escolas, com as quais nos solidarizamos.

Os professores presentes nesta Reunião Geral de Pessoal Docente aprovaram a manutenção da suspensão do processo de Avaliação de Desempenho dos Docentes do Agrupamento de Escolas nº1 de Portalegre, tendo decidido por maioria (escrutínio dos votos por voto secreto) não entregar os Objectivos Individuais.

Os professores deste Agrupamento tomam esta decisão na defesa do seu direito a ser avaliados por um Modelo justo, formativo e que efectivamente promova o mérito científico-pedagógico. Apelam ainda, e pelos motivos anteriormente expostos, a que aconteça o mais brevemente possível um processo de revisão do ECD, eliminando a divisão da carreira em categorias, e que se substitua o actual Modelo de Avaliação por um modelo consensual e pacífico, que se revele exequível, justo e transparente, visando a melhoria do serviço educativo público, a dignificação do trabalho docente, e promovendo assim uma Escola Pública de qualidade.

Portalegre, 28 de Janeiro de 2009

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domingo, 14 de dezembro de 2008

UM ENCONTRO. E DESENCONTROS.

Terça-feira, 9 de Dezembro. Em Fátima, a Conferência Episcopal toma uma iniciativa inédita: D. Jorge Ortiga recebe os representantes da Plataforma dos professores, encontrando-se estes em pleno processo de luta. Não há comunicados oficiais. Mas há declarações mais ou menos informais. O Bispo presidente garante, diante de câmaras de televisão, que a Igreja está muito preocupada com os professores, as escolas, os pais e os alunos. Sugere a realização de um pacto social sobre as questões educativas. E recomenda ao governo que ouça os professores. Jornais, televisões e observadores prestam a menor atenção possível ao facto. Toda a gente, a começar pelas autoridades, prefere ignorar o gesto. Mas trata-se simplesmente de um dos factos mais importantes da vida política destes últimos anos.

Quarta-feira, 10 de Dezembro. Em declarações justas e severas, o Presidente da Assembleia da República, Jaime Gama, apela aos grupos parlamentares para encontrarem vias de criar alguma disciplina, de impedir que os deputados faltem às sessões e que cumpram os seus deveres. O PS não gostou e alguns dos seus deputados reagiram mal.

Quinta-feira, 11 de Dezembro. Chegou o grande dia. Finalmente, Ministério da Educação e professores encontram-se para discutir tudo. Já se sabia, desde uns dias antes, que a convocatória e as ordens de trabalhos era uma soma de equívocos. Ambos disseram, uma vez, que estava tudo em cima da mesa. Ambos acrescentaram, outra vez, que certos tópicos não se poderiam discutir. Debater a hipótese da suspensão da avaliação era, para os professores, essencial. Tal discussão era, para o ministério, inútil, dado que a suspensão estava totalmente fora de questão. Os professores deixaram uma proposta de sistema de auto-avaliação que nada resolve. A ministra recusou as reivindicações de suspensão feitas pelos professores. Os participantes na reunião separaram-se azedamente, duas ou três horas depois. Fizeram bem em falar. Fizeram mal em não ter encontrado sequer umas pedras para pôr os pés e fazer um pouco de caminho. Nova reunião foi marcada para a próxima semana, desta vez para discutir o estatuto da carreira docente. A ministra garante que, para o ano, está disponível para tudo ver e rever, incluindo o sistema de avaliação e a hierarquia profissional dos professores. Para já, estranhamente, insiste na aplicação do seu sistema. Mas já chegámos a uma conclusão amarga: as propostas dos sindicatos são tão absurdas quanto as da ministra. Com um denominador comum: ambos estão empenhados em impedir que as escolas e os directores assumam as suas responsabilidades. Enquanto não se evitar a tenaz, ministério contra sindicatos a lutar por uma sistema centralizado e integrado, limitar-se-ão a adiar o problema. A tentar afogar o peixe.

Sexta-feira, 12 de Dezembro. É dia grande na cidade de Lisboa. Luzidia comitiva, com ministro e presidente da Câmara, desloca-se, para um momento mágico, a uma das praças mais bonitas do mundo. Finalmente, doze anos após o início das obras, que deveriam ter durado três, e depois de dezenas de milhões de euros de desvios, o Terreiro do Paço parece recuperar a sua vistosa figura. O Cais das Colunas é reaberto e inaugurado. Em maré de glória, o ministro diz que não lhe interessa perder tempo a apurar quem são os responsáveis pelos atrasos. O importante é o momento e a beleza do gesto. O Cais é devolvido ao povo de Lisboa. Mas, logo a seguir, o anúncio é feito: só por quinze dias. Após o Ano Novo, o Terreiro do Paço fecha, em grande parte, para novas obras de saneamento que vão durar, espera-se, mais de um ano. Entretanto, o Estado português terá de devolver à União Europeia cerca de 80 milhões de euros indevidamente recebidos, pois não respeitou as regras internacionais nas obras da linha de metro de Santa Apolónia ao Terreiro do Paço. Esta praça é bem uma metáfora do estado do país.

Sexta-feira, 12 de Dezembro. Uma semana depois da sessão memorável da Assembleia da República, à qual faltaram umas dezenas de deputados, a reunião da comissão do orçamento, marcada para as nove e trinta, foi adiada. A razão foi a da falta de quórum. Isto é, não havia nove deputados, os necessários para atingir a fasquia legal. Os socialistas que, sozinhos, poderiam garantir o quórum, não estavam em número suficiente. Dos outros partidos, alguns estariam por ali, mas não chegava.

Esta é seguramente a mais importante de todas as comissões parlamentares.

O Parlamento português já não surpreende. Ninguém espera absolutamente nada daquela casa. Serve para completar a maquinaria democrática, mas foi rebaixado a um papel secundário. Qualquer câmara de televisão é mais importante do que aquela instituição. Aliás, os que ainda se dedicam a fazer discursos ou aparecer no hemiciclo fazem-no apenas com a televisão no espírito. Já se viram ministros e deputados a falar olhando para as câmaras, nem sequer para os seus pares. O tom geral dos debates, pelo tom e pelos berros, mais parece o de uma lota de peixe. Raros são os deputados que falam normalmente e expõem os seus pontos de vista com argumentos racionais. Mais raros ainda são os que mostram sinais exteriores de pensarem quando falam.

Começam a surgir ideias e propostas para punir os deputados faltosos. Marquem-se faltas, dizem uns. Reduza-se o vencimento. Excluam-se os faltosos das listas nas próximas eleições. Publiquem-se regularmente os nomes dos que faltam. A verdade é que estas sugestões equivalem a colocar gesso numa perna de pau. Sem funções reais, sem independência, sem responsabilidades individuais, sem mandato pessoal e sem necessidade de prestar contas directamente aos eleitores, os deputados serão sempre o que são, apêndices estatísticos. Este Parlamento não é uma metáfora: é o retrato exacto e verdadeiro da democracia que temos.

António Barreto
PÚBLICO
14 de Dezembro de 2008

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sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

O LIVRO DO ANTEROZÓIDE

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A distribuição já começou. Não tenham problemas em encomendar livros e postais, que ainda há muitos.




Para encomendar o livro:

Enviar um mail com nome (completo, de preferência), morada e qual a encomenda para: anteroval@gmail.com

Fazer a transferência bancária para o NIB: 003300000198017250061 (banco: Millennium).

NOTA: Coloquem no descritivo o mesmo nome que utilizaram na encomenda

(as contas conjuntas podem causar alguma confusão).

Por segurança, enviem-me também, por favor, o comprovativo da transferência (scanner ou um mail com os dados), para poder confrontar com o meu extrato (se a transferência não disser o nome do depositante, deverá incluir o número da conta da qual foi feita a transferência).

Para os mais avessos a esta coisa de internet, podem sempre enviar o pedido e o pagamento para:

Antero Valério

Rua Mateus Vicente, Nº3, 3ºDtº

1500-445 Lisboa

O preço do livro é de 17,5 euros, mais 2,5 para despesas de envio. (20 euros).

O preço da colecção de postais é de 9 euros, já com os portes incluídos.

Se encomendar o livro e os postais juntos, o total é de 27 euros.

Como já disse anteriormente, o livro tem 120 páginas, 80 páginas a preto e branco e 40 páginas a cores.

A colecção é de 9 postais, embalados numa caixa/cartoon. Abaixo, podem ver as miniaturas dos postais:

postx

A edição do livro é de mil exemplares e a dos postais é de 500 exemplares.

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terça-feira, 9 de dezembro de 2008

MORTE AOS JUDEUS! MORTE AOS HEREGES!

Celebraram-se, recentemente, os quinhentos anos da mortandade de judeus levada a cabo pelo povo de Lisboa, com a bênção dos frades de S. Domingos. Tudo começou quando um cristão-novo pretendeu esclarecer os presentes na Igreja de S. Domingos que a luz que irradiava da imagem de Cristo não era nenhum milagre, mas apenas a luz do sol. O que tu foste dizer... «Morte aos judeus! Morte aos hereges!». E depois foi o que se sabe: milhares de judeus chacinados na praça pública pelo povo em fúria, instigados pelos frades de S. Domingos.

Com vista, certamente, a celebrar condignamente a efeméride, os novos frades de S. Domingos, há cerca de três anos a pregarem em S. Bento e no Terreiro do Paço, resolveram reeditar a matança dos hereges.

O povo, metido nesta angústia e vil tristeza, onde tudo funciona mal, desde a Justiça à Educação, da Economia à Administração Pública, esperava ansioso por qualquer raio de sol que, incidindo no rosto do nosso primeiro-ministro, sugerisse um pequeno milagre.

E o milagre ocorreu. O rosto do primeiro-ministro iluminou-se como que por milagre. Ouviu-se, então, um bruá no país inteiro. As sondagens dispararam. Finalmente havia alguém que tinha a coragem de “pegar o touro pelos cornos”, de afrontar os direitos instalados. E o primeiro-ministro, com o rosto inundado da luz dos projectores, anunciou ao país as prometidas e indispensáveis reformas: a venda dos medicamentos nos supermercados, a redução das férias judiciais, as aulas de substituição, a avaliação do desempenho dos professores, a suspensão das medidas agro-ambientais…

«Milagre! Milagre!», clamou o povo.

Acontece que um cristão-novo ali presente, na sua ingenuidade, declarou o óbvio: «Isso não é reforma nenhuma. Pelo contrário, não só não vai resolver nada como vai ainda agravar mais os problemas já existentes.» O que tu foste dizer…

O frade de S. Domingos da Justiça clamou em voz alta: «se o povo tem um mês de férias, por que razão os judeus hão-de ter dois meses de férias?» E o frade de S. Domingos da Agricultura clamou: «Houve três judeus que usaram os subsídios da agricultura agro-ambiental para encher as suas piscinas.» E, por sua vez, a freira de S. Domingos da Educação clamou: «10% dos judeus faltam às aulas». E já não houve tempo para outras explicações. «Morte aos judeus! Morte aos hereges!», clamaram o povo e os frades de S. Domingos. E os hereges foram literalmente arrancados dos tribunais, das escolas, dos campos, das farmácias, dos hospitais, dos quartéis, etc. pelo povo em fúria e espezinhados e queimados na praça pública, enquanto os frades de S. Domingos iam lançando mais achas para a fogueira, bradando em voz alta contra o fim dos interesses corporativos.

Consumada a matança dos hereges, veio a constatar-se, segundo os relatórios do Banco de Portugal, da OCDE e do FMI, que as prometidas reformas, afinal, ainda não tinham saído da cartola. E se se fizer um estudo comparativo com anos anteriores sobre a produtividade e a qualidade do trabalho dos nossos tribunais e das nossas escolas, facilmente se constata que não houve melhorias.

Para perceber o que se passou nas escolas e nos tribunais, basta recordar apenas um extracto da entrevista de António Cerejeira, director de recursos humanos da IBM: «O que faz a diferença são as pessoas. Se tivermos empregados motivados, isso terá impacto no resultado».

O Governo fez tudo ao contrário. Com medidas pontuais e ridículas e declarações públicas ofensivas da dignidade das classes profissionais, desmotivou as pessoas e feriu de morte sobretudo os melhores profissionais, aqueles que cumpriam e superavam os objectivos que lhes eram propostos. E agora ficou com o menino nos braços.

Sem esquecer que não basta legislar para que as reformas se concretizem. É necessário, para que as mesmas tenham sucesso, que não esbarrem na resistência passiva daqueles que as têm de implementar: magistrados, funcionários administrativos, professores, médicos, polícias, etc. Caso contrário, as reformas ainda produzem resultados piores do que aqueles que pretendem corrigir.

Ou seja, para que as reformas tenham sucesso é necessário que o Governo conte com a colaboração e o empenho dos judeus. Só que, depois de os ter queimado na praça pública, isso tornou-se completamente impossível.


Santana-Maia Leonardo

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terça-feira, 2 de dezembro de 2008

CARTA DE UM PROFESSOR SOCIALISTA

Caros colegas,
Sou militante do PS desde 1989 e estive no dia 29 de Novembro na sede do PS, Largo do Rato. Não tive a oportunidade de intervenção porque houve bastante participação. Inscrevi-me, mas confesso que abdiquei da minha intervenção pois iria repetir-me. Em resumo: insistência e muita propaganda para validar o modelo a qualquer custo. A divisão da carreira é para continuar, sendo que foi demonstrado cabalmente que não corresponde ao mérito mas sim a redução de custos e que mais de 2/3 dos professores jamais a atingem. Quero deixar a mensagem que só muito poucos é que tiveram a coragem de dizer as verdades. Enfim, a pressão é muita e o satus presente não permitiu que todos nos sentissemos "livres".
Porque sou socialista, porque acredito num verdadeiro PS e não neste, porque quero e luto por um PS mais justo, mais digno, mais fraterno... irei fazer greve assim como muito dos colegas presentes. Quero ainda dizer-vos: Este PS está aflito. Vai recorrer a tudo o que puder para levar por diante toda esta maquinação. Dizem que não podem perder a face.
Nós professores também não! Se ganharmos agora, ganhamos todos! Se perdermos neste momento, jamais nos levantaremos! O PS de Sócrates e não dos socialistas tudo irá fazer para nos vergar. Isto é uma certeza. Cabe-nos a nós resistir, porque resistir é vencer!
Aguardo melhores dias para o meu verdadeiro PS.

PS: Foi dito por um colega que neste momento o PS já tinha perdido a maioria e que se arriscava mesmo a perder as eleições com esta luta contra os professores. Este PS não está mesmo preocupado... e todos nós julgamos saber porquê. Quem vier a seguir que feche a porta, pois estes já têm lugar de estadia e vôo marcado para destinos definidos e bem remunerados.
Professor socialista que não vota neste PS.


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domingo, 23 de novembro de 2008

POR EXEMPLO

A escola Adriano Zenão, pública, tem cerca de 500 alunos do ensino básico e secundário. Pertence à autarquia. O director da escola, Dr. Fabrício, é gestor, especialista em administração escolar e principal responsável pela escola. Foi nomeado pelo Conselho Escolar, sendo este composto por um terço de professores, um terço de pais de alunos e um terço de membros da comunidade (autarcas, empresários e outros). O contrato do director tem a duração de cinco anos e pode ser renovado. A sua nomeação ocorreu após um processo de selecção iniciado um ano antes. A aprovação do seu contrato teve de obter pelo menos dois terços dos votos do Conselho Escolar. O director é assessorado pelo Conselho de Gestão, formado por ele, um técnico e dois professores. Estes três membros do conselho de gestão foram nomeados, sob proposta sua, pelo Conselho Escolar. O Conselho Pedagógico, formado por cinco professores, ocupa-se das matérias exclusivamente desse foro. Há vários planos, muito flexíveis, de organização dos docentes por turma, ano ou disciplina, de modo a permitir a boa informação e a coordenação de certos assuntos. O Conselho Disciplinar é formado pelo director, um professor e um membro da Associação de Pais. O Regulamento disciplinar é elaborado pelo director da escola e aprovado pelo Conselho Escolar. Este último, presidido pelo Dr. Julião Bruno, representante da Associação de Pais, nomeia o director e aprova os orçamentos e relatórios anuais, o plano estratégico de desenvolvimento e os regulamentos, mas não interfere no dia-a-dia da escola, nem nos processos de avaliação ou de recrutamento. Este foi o modelo próprio, construído pela escola. É diferente do de outras e parecido com o de umas tantas.

O Ministério da Educação não tem qualquer intervenção directa na escola. Mas os seus inspectores visitam-na duas vezes por ano e elaboram relatórios que entregam ao Ministério e à autarquia. Além disso, o Ministério estabelece o currículo nacional que ocupa cerca de 75 por cento das matérias disciplinares. Os restantes 25 por cento são decididos pelo conselho escolar, sob proposta do conselho pedagógico. Para as disciplinas do currículo nacional, a escola organiza os exames de acordo com as regras gerais em vigor para todo o país. Mas a avaliação permanente dos alunos, com ou sem exames, depende exclusivamente da escola que aplica os métodos que julga mais convenientes. O Ministério da Educação tem ainda a responsabilidade de estabelecer anualmente os rankings das escolas. Por outro lado, pode intervir, com poderes excepcionais, cada vez que se verifique, na escola e na autarquia, uma crise irremediável de que os alunos são as primeiras vítimas.

O financiamento público é garantido pelo Ministério, através da autarquia, no quadro de um plano trienal. A escola recebe um orçamento anual, que tem de gerir livremente, não podendo jamais ultrapassar as verbas atribuídas, pois o Ministério está proibido de acrescentar o que quer que seja. A autarquia tem a seu cargo as despesas extraordinárias e imprevistas. A comunidade, sobretudo as empresas, contribui igualmente. Os empregadores da região fazem sugestões sobre cursos e especialidades que a escola pode criar e que têm utilidade para as actividades locais. As despesas de carácter social (bolsas de estudo, apoios alimentares e outros subsídios) dependem da autarquia, que recorre a fundos próprios e a dotações do Instituto de Acção Social.

Os professores, várias dezenas, pertencem aos quadros da escola. A quase totalidade exerce lá a sua profissão há mais de três anos. Muitos fazem-no há mais de quinze. Os novos professores são recrutados anualmente pela escola, seja através de concursos específicos, seja, em certos casos, directa e pessoalmente. Os novos contratos, com duração nunca inferior a três anos (a não ser a pedido do professor e em caso de emergência), são aprovados pelo Conselho de Gestão, sob proposta do director. Após os primeiros contratos cumpridos, os professores podem obter a nomeação definitiva, tendo para isso que prestar provas. A avaliação dos professores é feita regularmente e ao longo de todo o ano pelo Conselho Pedagógico, pelo Conselho de Gestão e pelo Director. Do processo de cada professor podem constar elementos com origem diversa, incluindo apreciações do Conselho Escolar e dos Inspectores do Ministério, assim como os resultados das provas prestadas e o registo de assiduidade. Esta avaliação, permanente, exclui as grelhas, os projectos individuais e outros formulários abstrusos. Cada professor redige um relatório anual das suas actividades e dos seus resultados, a que acrescenta uns parágrafos com sugestões de melhoramento e opiniões sobre o funcionamento da escola. A decisão última relativa à avaliação depende do Director da Escola.

Há várias modalidades de participação dos pais, seja através dos órgãos representativos, com funções e poderes reais, seja por intermédio das reuniões com os professores, regulares mas relativamente informais, durante as quais se tratam dos múltiplos problemas da vida quotidiana da escola e dos alunos. Os professores dedicam umas horas por mês a receber individualmente os pais. Os representantes dos pais participam necessariamente na organização de vários aspectos da vida da escola relativos à saúde, ao desporto, à alimentação, à cultura e a outras actividades culturais. A escola fica aberta todos os dias até às 19.00, por vezes 20.00 horas, mantendo em funcionamento, até essa altura, a biblioteca, as oficinas tecnológicas, as salas de estudo, as instalações desportivas e as salas destinadas à música e ao teatro. Por vezes, para certas actividades extracurriculares, a escola fica aberta até às 22.00 horas.

Parece difícil, não parece? Mas não é.


António Barreto
Público
23 de Novembro de 2008

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quinta-feira, 20 de novembro de 2008

AS CAUSAS...

"Em vez de ensinarem, as escolas estão a produzir analfabetos literários e científicos. Sem Português e Matemática, que são ferramentas transversais para todos os demais saberes, não se pode ser bom em nada. A falta de educação pré-escolar digna desse nome, a elementarização do ensino básico (de onde se sai a mal saber ler e escrever e sem saber fazer quaisquer contas), a infantilização do ensino secundário, manuais escolares deficientes, pedagogias laxistas, professores incompetentes e sem a preparação adequada, ausência de uma cultura de rigor e de exigência de avaliação, o horror às reprovações, tudo isto e mais alguma coisa está a fazer do nosso ensino um escandaloso descalabro.
É precisa uma revolução. É o futuro do País que está em causa."

Quem escreveu isto, em Janeiro de 2004, intitulou o postal O Desastre.

Passados quase cinco anos, já poderia escrever, A Tragédia.

Em vez disso, anda a escreve epifanias e incentivos ao mais despudorado autoritarismo de maioria absoluta.
Nem uma palavra a propósito do
horror ás reprovações.

Não convém ser coerente, em tempo de poder.


J.

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segunda-feira, 17 de novembro de 2008

OS PUTOS JÁ GANHARAM A BATALHA...

domingo, 16 de novembro de 2008

OS TRÊS PODERES

Duas teimosias. Dois fanatismos. Nos actuais termos, a guerra das escolas não tem saída. Mesmo que esta ministra consiga, pela lei da força, uma qualquer vantagem, terá, a prazo, uma grande derrota.

Os professores, de futuro, não farão o que ela hoje pretende. Aliás, muitos já o não fazem. O próximo ministro da educação, até do mesmo partido, terá necessidade de alterar muita coisa e procurar um novo pacto. Se for de outro partido, a primeira coisa que fará será alterar este quadro legal e as práticas que são hoje impostas. Nas próximas eleições, poderá ver-se na campanha e nos respectivos programas: todos, com excepção do PS, vão sugerir a revogação das actuais leis e os mais imaginativos acabarão por propor um novo sistema de avaliação. O próprio PS fará uns ajustamentos...

Não se trata apenas de teimosia. Muito menos da força da razão. Há muito mais do que isso. A começar pela ideia de imagem, um dos maiores venenos da política contemporânea. Não se pode perder a face. Não se desiste. Não se devem reconhecer erros maiores. Não é bem visto recuar. A insistência, mesmo no erro, é sinal de carácter. Estes são alguns dos sentimentos que passam pela cabeça dos governantes e dos dirigentes dos sindicatos. Mas há mais. O governo recorda com especial carinho o episódio de Souselas. Já ninguém se lembra, mas Sócrates não esquece. Foi essa história menor da política portuguesa que criou Sócrates e lhe ofereceu um trampolim para o lugar que hoje ocupa. Nunca ceder, ir até ao fim, são imperativos.

Mas a superfície não explica tudo. Estas batalhas não se limitam a estilos e imagens. Está em curso uma luta entre três poderes. Luta verdadeira, de cujo resultado vai depender o futuro da educação e da escola. Quais são esses poderes? Em primeiro lugar, o do ministério (ou do governo), em tentativa de reforço e consolidação. Segundo, o dos professores, em queda. Terceiro, o da escola, largamente fictício.

O governo quer centralizar ainda mais o sistema educativo, deseja reafirmar o seu poder sobre a escola e sobre os professores e pretende uniformizar regras e critérios. Procura manter as autarquias sob a sua alçada e transformar os professores em verdadeiro regimento fabril ou militar. Entende que, obedientes, as escolas e os professores darão melhor contributo para as suas estatísticas. De passagem, tem outros objectivos, eventualmente mais nobres: poupar dinheiro e obrigar os professores a trabalhar mais.

Os professores, tanto os movimentos como os sindicatos, não querem ser esbulhados da enorme parcela de poder que as reformas lhes deram durante as últimas décadas. Como não querem ser obrigados a seguir as ordens regimentais e as enxurradas de directivas que o ministério lhes envia regularmente. Não querem ver as suas carreiras transformadas em função burocrática e automática. Não desejam ser avaliados. Não querem perder os privilégios que os sucessivos governos e as modas pedagógicas lhes conferiram. Não aceitam ser, além de parte interessada, juízes, fiscais e polícias em nome do ministério que abominam. E não querem ser cúmplices desta nova ordem burocrática que se anuncia.

Quanto às escolas, coitadas! Não têm porta-voz, praticamente não existem como instituição. Não cultivam espírito de corpo. Não têm meios. Não têm relações verdadeiras e genuínas com os pais, nem com as comunidades. Não são entidades autónomas, com identidade e carácter. São fortalezas dos professores ou repartições do ministério. Não têm nada a perder com esta guerra, pela simples razão de que nada têm.

A ministra tem algumas razões. Mais trabalho, por parte de alguns que folgam. Um qualquer princípio de avaliação. Poupar recursos e dinheiro. E impedir que todos os professores tenham sempre as classificações de muito bom e excelente, pragas conhecidas em toda a função pública. Mas o Inferno está no pormenor. Como sempre. Os jornais já publicaram mil pormenores sobre o sistema de avaliação, dos formulários às regras e procedimentos. O escárnio é constante. A ministra queixa-se de que o seu sábio sistema foi ridicularizado! É verdade. Mas não merece menos do que isso. Além de absurdo e inútil, este exercício parece uma punição, a fazer lembrar os castigos infligidos, por praxe sádica ou despotismo, nas forças armadas de muitos países. Não é só este sistema que está errado: é o princípio mesmo de uma avaliação centralizada, de âmbito nacional e uniforme.

A avaliação ministerial, burocrática, formal e pseudocientífica é um enorme erro. A grande tradição centralista, integrada e unificada da educação pública em Portugal é responsável pela mediocridade de resultados e pelo desperdício de enormes recursos financeiros vertidos, desde há trinta anos, por cima do sistema, sem resultados proporcionais. É essa tradição que é responsável pela ausência de espírito comunitário nas nossas escolas. Pelo desdém que as autarquias dedicam às escolas. Pela apatia e impotência dos pais. Pelo facto de tantos professores desistirem do orgulho nas suas carreiras e do brio no exercício da sua profissão. É provável que muitos não queiram trabalhar quanto devem ou que tenham outros interesses. Como em todas as profissões. Mas o seu sentimento de dignidade ferida parece genuíno. E é compreensível.

São quase misteriosas as razões pelas quais não se permite que sejam as escolas, os seus directores e os seus conselhos de direcção, ajudados pela comunidade e pelos pais, a avaliar a escola no seu conjunto. E não se deixam os responsáveis das escolas observar e avaliar o desempenho profissional dos docentes. A República, o Estado Novo, a democracia, o socialismo e o comunismo coligam-se facilmente para manter a escola sob o punho do ministério, cuja proverbial incompetência é uma das raras constantes na história do século XX. Entre o ministério e o sindicato, parece haver terra queimada, campo de batalha. Não terão percebido os professores, desta vez, que a autoridade do ministério é o pior que lhes pode acontecer? Apetece dizer que chegou a hora de sair deste impasse, de quebrar a tenaz dos dois fanatismos. Uma visão optimista levar-nos-ia a pensar que, finalmente, os professores perceberam que a autoridade da escola pode ser a solução. Dá vontade de acreditar que este é o momento de deixar de escolher entre a guerra e a peste. Mas a esperança numa solução sensata e num esforço de imaginação criativa, em vésperas de eleições, é uma doença grave.
Livremo-nos, ao menos, dessa.


António Barreto
Público
16 de Novembro de 2008

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sábado, 15 de novembro de 2008

O OVO

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