Há quem ache que o desenvolvimento no Alentejo seja algo só possível em realidade virtual.
Mas há também quem não pense bem assim e defenda que a realidade virtual é a chave para o desenvolvimento da região.
Esta quarta-feira, foi apresentado em Portalegre o primeiro centro dedicado exclusivamente a este tipo de tecnologia, em Portugal. O objectivo é torná-lo num pólo dinamizador, que contagie o resto do país. «É um centro que pretende divulgar, desenvolver e transferir tecnologia de realidade virtual, com o objectivo de ajudar a competitividade das empresas, instituições e regiões», disse Gastão Marques, em entrevista ao PortugalDiário (veja o vídeo), durante a apresentação do projecto. O director do ICT-VR (Internacional Center for Technology in Virtual Reality), responsável pelo desenvolvimento deste centro em parceria com a Sun Microsystems, explicou ainda que o centro irá funcionar «como uma âncora que ajude Portugal a ter um cluster [agrupamento de empresas de indústrias do mesmo tipo]», nesta área.
Em embrião desde Setembro de 2006, quando o ICT-VR iniciou na cidade alentejana as primeiras incursões no 3D, o novo projecto está prestes a receber instalações a estrear. Para já, as demonstrações apresentadas esta quarta-feira saíram da sala da Escola Superior de Tecnologia e Gestão de Portalegre, onde o ICT-VR tem a suas primeiras máquinas.

Complexo pronto no final de Novembro
A conclusão das obras da sede do centro está prevista para 30 de Novembro. Nessa altura, serão quase 1400 metros quadrados dedicados à criação de uma realidade que se projectará para fora de computadores, televisões, projectores e todo o tipo de gadgets que possam suportar imagens a três dimensões.
Entre outras valências, o complexo terá um laboratório motion capture, onde será possível, por exemplo, registar movimentos humanos para aplicar em jogos de computador. Haverá ainda vários laboratórios e um «show room», com 60 lugares, onde serão exibidas e testadas aplicações. Um espaço que poderá receber visitantes.
Quase Hollywood
Para já, a prioridade será o desenvolvimento de conteúdos, à semelhança dos que alimentam alguns dos ecrãs que Gastão Marques tinha atrás de si, durante a entrevista. Um deles permitia realizar vídeo-conferências com o interlocutor projectado fora do painel, outro possibilitava assistir a televisão a três dimensões e um terceiro parecia ter saído do filme «Relatório Minoritário», em que Tom Cruise, na pele de um polícia futurista, manuseava as imagens que emanavam de um painel de luz, numa série de gestos, quase demiúrgicos, através dos quais premeditava crimes antes deles acontecerem.
Em Portalegre ainda não se fazem previsões do futuro. Quanto à capacidade criadora, tem estado entregue a pouco mais de uma dezena de pessoas, mas o novo centro vai permitir a inclusão de mais. «Neste momento, a nível do ICT-VR, somos 12 pessoas a trabalhar, através da nossa rede de parceiros somos 20 a 25. Agora, quando o projecto arrancar em pleno vai-se alargar, penso que muito rapidamente, e para números expressivos», sublinhou Gastão Marques.
Hugo BelezaPortugalDiárioEtiquetas: Câmara Municipal de Portalegre, Centro de Realidade Virtual, Portalegre, Realidade Virtual