terça-feira, 9 de março de 2010

ANGOLARES

Canoa frágil, à beira da praia,
panos preso na cintura,
uma vela a flutuar...
Caleima, mar em fora
canoa flutuando por sobre as procelas das águas,
lá vai o barquinho da fome.
Rostos duros de angolares
na luta com o gandu
por sobre a procela das ondas
remando, remando
no mar dos tubarões
p'la fome de cada dia.

Lá longe, na praia,
na orla dos coqueiros
quissandas em fila,
abrigando cubatas,
izaquente cozido
em panela de barro.

Hoje, amanhã e todos os dias
espreita a canoa andante
por sobre a procela das águas.
A canoa é vida
a praia é extensa
areal, areal sem fim.
Nas canoas amarradas
aos coqueiros da praia.
O mar é vida.
P'ra além as terras do cacau
nada dizem ao angolar
"Terras tem seu dono".

E o angolar1 na faina do mar,
tem a orla da praia
as cubatas de quissandas
as gibas pestilentas
mas não tem terras.

P'ra ele, a luta das ondas,
a luta com o gandu,
as canoas balouçando no mar
e a orla imensa da praia.

Alda Espírito Santo
1926 - 2010
É nosso o solo sagrado da terra

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1 Comentários:

Anonymous Anónimo disse...

LINDO POEMA...ÁFRICA É LINDA E SEU POVO, MUITO TEM SOFRIDO, MAS A MAGIA ALEGRIA DESSE POVO NINGUÉM A TIRA ESTÁ NAS SUAS CANOAS, NA DANÇA, NAS VESTES, NA COMIDA, EM TUDO ATÉ NO OLHAR E ANDAR...AMO A MINHA ÁFRICA LINDA TODOS OS POVOS DE ÁFRICA TÊM UM ENCANTO ESPECIAL ATÉ OS ANIMAIS...TUDO

quarta-feira, 17 março, 2010  

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