sexta-feira, 11 de setembro de 2009

INDEPENDÊNCIA

Recuso-me a aceitar o que me derem.
Recuso-me às verdades acabadas;
recuso-me, também, às que tiverem
pousadas no sem-fim as sete espadas.

Recuso-me às espadas que não ferem
e às que ferem por não serem dadas.
Recuso-me aos eus-próprios que vierem
e às almas que já foram conquistadas.

Recuso-me a estar lúcido ou comprado
e a estar sozinho ou estar acompanhado.
Recuso-me a morrer. Recuso a vida.

Recuso-me à inocência e ao pecado
como a ser livre ou ser predestinado.
Recuso tudo, ó Terra dividida!

Jorge de Sena
Coroa da Terra

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5 Comentários:

Anonymous J.G. disse...

No meio do lixo tóxico que é a nossa "vida pública", passou despercebida a transladação dos restos mortais de Jorge de Sena para Portugal. Duvido que, se fosse vivo, concordasse com o fútil exercício. A sua altivez amarga não se daria bem com piedades póstumas. Eduardo Lourenço falou, certeiro, do "regresso do indesejado". Anos a fio, no "antigo" como no "novo" regime - com a excepção de Ramalho Eanes -, trataram-no sempre como um intruso, como um estranho ao cânone oficial e ao "amiguismo" circular. Hoje quando olho para aquilo a que apelidam de "literatura portuguesa" - uma categoria pífia onde cabe tudo, desde o "romance" encomendado a jornalistas da moda a meninos e meninas dados a tremuras cerebrais lá onde nem sequer existe uma cabeça - percebo melhor por que é que um homem da dimensão de Sena teve de ir embora daqui para ser Jorge de Sena. Porque aqui matam as pessoas em vida para, depois de mortas, as exibir como troféus nacionais. Sena "acompanhou" a minha adolescência e a minha juventude. Como ensaísta, como camonista, como poeta, como romancista, como contista. Em suma, como um Homem. A melhor homenagem que se deve fazer a seres raros como Sena é lê-los e deixá-los entregues à luminosa eternidade a que sempre pertenceram. Como escreveu um dia, «Esta é a ditosa pátria minha amada. Não./Nem minha amada, porque é só madrasta./ Nem pátria minha, porque eu não mereço/a pouca sorte de nascido nela./ Nada me prende ou liga a uma baixeza tanta/ quanto esse arroto de passadas glórias.» Requiescat in pace.

sábado, 12 setembro, 2009  
Anonymous Anónimo disse...

Jorge de Sena

“Que mundo este. Morre a Princesa do Traseiro-ao-Léu.
Bacoreca Sinfrásia de Aldipopes. Morre o tribilinto asfásico
dourada pluma de popotássicos futebóis tintáceos.
Ascende no ar um cheiro a Presidente. E a Imprensa
Cai em delíquio de pernoca e bunda…”

Assim escreveu Jorge de Sena na sua “Homenagem a Tristan Tzara”, revoltado com o silêncio à volta da morte do poeta romeno. Assim se poderia escrever perante a trasladação quase clandestina do autor de Sinais de Fogo. Devia ter sido notícia de primeira página e de abertura dos telejornais. Não foi. À noite, vi apenas uma nota de rodapé. Daqui a muitos anos terá sido esquecido o que entre nós nesse dia se passou. Mas saber-se-á com certeza que o dia 11 de Setembro de 2009 foi o dia em que ficou finalmente sepultado em Portugal o poeta Jorge de Sena, aquele que resumiu num só verso a amargura do exílio: “ Eu sou eu mesmo a minha Pátria”. Ficou nos Prazeres. Mas o seu lugar é no Panteão Nacional.

Manuel Alegre

sábado, 12 setembro, 2009  
Anonymous Anónimo disse...

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segunda-feira, 14 setembro, 2009  
Anonymous Anónimo disse...

És um branco de todo o tamanho ó branco

segunda-feira, 14 setembro, 2009  
Anonymous Anónimo disse...

Ò Branco, depois da praia passa a bronzeado, sempre é mais fixe e giro...

sábado, 19 setembro, 2009  

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