quarta-feira, 27 de julho de 2011

COLEGIAL

Em cima da minha mesa,
Da minha mesa de estudo,
Mesa da minha tristeza
Em que, de noite e de dia,
Rasgo as folhas, leio tudo
Destes livros em que estudo,
E me estudo
(Eu já me estudo...)
E me estudo,
A mim,
Também,
Em cima da minha mesa,
Tenho o teu retrato, Mãe!

À cabeceira do leito,
Dentro dum lindo caixilho,
Tenho uma Nossa Senhora
Que venero a toda a hora...
Ai minha Nossa Senhora
Que se parece contigo,
E que tem, ao peito,
Um filho
(O que ainda é mais estranho)
Que se parece comigo,
Num retratinho,
Que tenho,
De menino pequenino...!

No fundo da minha sala,
Mesmo lá no fundo, a um canto,
Não lhes vá tocar alguém,
(Que as lesse, o que entendia?
Só riria
Do que nos comove a nós...)
Já tenho três maços, Mãe,
Das cartas que tu me escreves
Desde que saí de casa...
Três maços - e nada leves! -
Atados com um retrós...

Se não fora eu ter-te assim
A toda a hora,
Sempre à beirinha de mim,
(Sei agora
Que isto de a gente ser grande
Não é como se nos pinta...)
Mãe!, já teria morrido,
Ou já teria fugido,
Ou já teria bebido
Algum tinteiro de tinta!


José Régio
Encruzilhadas de Deus

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8 Comentários:

Anonymous Anónimo disse...

arruma-lhe, arruma-lhe pedro que isso não se gasta!!!!

quarta-feira, 27 julho, 2011  
Anonymous Anónimo disse...

Não sou professor ou porra alguma, mas já venho aqui escrever à anos e hoje deixo-vos isto .

Por todos os argumentos acima referidos, deste blog podemos concluir que cabe-nos a nós, cidadãos de todo o mundo denunciar o que achamos que está mal, mesmo que não lucremos nada com isso, nem que não seja para nosso beneficio, não podemos pensar apenas em nós, devemos pensar também nas outras pessoas que estão para nascer, e que vão viver no mundo que nós recriamos, eles não podem ser sacrificados pelos erros que nós cometemos, eles não têm a culpa dos nossos actos.
Em suma, este blog tanto pode promover os Homens as Mulheres a sua dominação, o esgotamento da diferença e a uniformalização cultural, como aproximar os Homens e as culturas entre si.


“Só saberemos que este blog , Jornal Alto Alentejo de Portalegre está de facto a promover a inclusão a e permitir que todos partilhem as oportunidades que oferece, quando os homens, mulheres e crianças comuns das cidades e aldeias do mundo inteiro puderem melhorar a sua vida. E é essa a chave para eliminar a pobreza do mundo.”

sem mais demoras e sem outras palavras me subscrevo.

doutor m.a.f.p

quarta-feira, 27 julho, 2011  
Anonymous Anónimo disse...

Estive a ler o AA e vi que os premiados no concurso PoliEmpreende apresentaram-se na Sala de Actos do IPP, desconhecia que havia uma sala da actos, hehe, como se tivessem vindo da praia . Uma sugestão esclareçam as pessoas que em determinadas cerimónias convém ir apresentável, e que calções, calças de ganga e camisa fora das calças não são formas apresentáveis de se estar numa cerimónia. Haja respeito para com as instituições!!

quarta-feira, 27 julho, 2011  
Anonymous Anónimo disse...

A importância dos estudos ao levar no cú!

Esta manhã assisti a uma conversa assaz curiosa.
E o resumo da mesma é rápido.
O gay sem estudos superiores é um "paneleiro nojento e asqueroso".
O gay com estudos superiores é um homossexual com opções válidas e acima de "bocas" xenófobas.
Ambos são bastante conhecidos na cidade.
Ao primeiro atiram-se pedras. Ao segundo batem-se palmas pela coragem!
Não levam os dois no cú?

quarta-feira, 27 julho, 2011  
Anonymous Anónimo disse...

O homem cuja única preocupação parece ser desenrascar a sua própria vida, pobre professor que não percebe nada de acções quando lhe interessa, ou grande especialista em tais assuntos noutras oportunidades, diz-se agora preocupado com aqueles que não têm rendimentos suficientes para serem abrangidos pelo imposto extraordinário que incidirá em 50 por cento do subsídio de Natal.

O tal professor, autodeclarado presidente de todos os portugueses, não está preocupado com os ricos, isentos deste imposto extraordinário, com a maioria dos empresários que simplesmente, nada pagam. Também não está preocupado com os trabalhadores por conta de outrem, que tal como os reformados, não têm como escapar ao assalto fiscal em curso. diz-se preocupado com os que já nada têm, porque tudo lhes foi tirado, tudo lhes foi roubado. é efectivamente um sentido de justiça social peculiar.

De tal cinismo, apenas se pode concluir que a proclamada preocupação é a de serem poucos os trolhas a foder. Deveriam ser mais para aumentar o saque.

quarta-feira, 27 julho, 2011  
Anonymous Anónimo disse...

Um grande post este sobre o anibal.

Símbolo do político português; desacreditado, ladrão (quando julgado por outras leis que não aquelas que eles próprios pariram), petulante, anti-social.

Morrerão todos nas sua próprias esparrelas construídas por todas essas criminosas mãos.

quarta-feira, 27 julho, 2011  
Anonymous Anónimo disse...

Este blog é emportalegrecidadedoaletoalentejo@blogspot.com

o blog do jornal Alto Alentejo é joenalaltoalentejo@blogspot.com e o site é jornalatoalentejo@com

qualquer confusão ente estes endereços é pura distracção, confusão ou maldade

quarta-feira, 27 julho, 2011  
Anonymous Anónimo disse...

Em Portalegre, cidade
Do Alto Alentejo, cercada
De serras, ventos, penhascos, oliveiras e sobreiros
Morei numa casa velha,
À qual quis como se fora
Feita para eu Morar nela...

...

Em Portalegre, cidade
Do Alto Alentejo, cercada
De montes e de oliveiras
Ao vento suão queimada
( Lá vem o vento suão!,
Que enche o sono de pavores,
Faz febre, esfarela os ossos,
E atira aos desesperados
A corda com que se enforcam
Na trave de algum desvão...)
Em Portalegre, dizia,
Cidade onde então sofria
Coisas que terei pudor
De contar seja a quem fôr,
Na tal casa tosca e bela
À qual quis como se fora
Feita para eu morar nela,
Tinha, então,
Por única diversão,
Uma pequena varanda
Diante de uma janela


Em Portalegre, cidade
Do Alto Alentejo, cercada
De serras, ventos, penhascos e sobreiros
Era uma bela varanda,
Naquela bela janela!
...

Em Portalegre, cidade
Do Alto Alentejo, cercada
De serras, ventos, penhascos, oliveiras e sobreiros
Na casa em que morei, velha,
Cheia dos maus e bons cheiros
Das casas que têm história,
Cheia da ténue, mas viva, obsidiante memória
De antigas gentes e traças,
Cheia de sol nas vidraças
E de escuro nos recantos,
Cheia de medo e sossego,
De silêncios e de espantos,
À qual quis como se fora
Tão feita ao gosto de outrora
Como as do meu aconchego

...

Em Portalegre, dizia,
Cidade onde então sofria
Coisas que terei pudor
De contar seja a quem for,
?Que havia o vento suão
De fazer,
Senão trazer
Àquela
Minha
Varanda
Daquela
Minha
Janela,
O documento maior
De que Deus
É protector
Dos seus
Que mais faz sofrer?

Lá num craveiro, que eu tinha,
Onde uma cepa cansada
Mal dava cravos sem vida,
Poisou qualquer sementinha
Que o vento que anda, desanda,
E sarabanda, e ciranda,
Achara no ar perdida,
Errando entre terra e céus...,
E, louvado seja Deus!,
Eis que uma folha miudinha
Rompeu, cresceu, recortada,
Furando a cepa cansada
Que dava cravos sem vida
Naquela
Bela
Varanda
Daquela
Minha
Janela
Da tal casa tosca e bela
Á qual quis como se fora
Feita para eu morar nela

...


Em Portalegre sofria
Coisas que terei pudor
De contar seja a quem for,
Me trouxe a mim essa esmola,
Esse pedido de paz
Dum Deus que fere ... e consola
Com o próprio mal que faz?

Coisas que terei pudor
De contar seja a quem for
Me davam então tal vida
Em Portalegre; cidade
Do Alto Alentejo, cercada
De serras, ventos, penhascos, oliveiras e sobreiros,
Me davam então tal vida
- Não vivida!, sim morrida
No tédio e no desespero,
No espanto e na solidão,
Que a corda dos derradeiros
Desejos dos desgraçados
Por noites do tal suão
Já varias vezes tentara
Meus dedos verdes suados...

Senão quando o amor de Deus
Ao vento que anda, desanda,
E sarabanda, e ciranda,
Confia uma sementinha
Perdida entre terra e céus,
E o vento a trás à varanda
Daquela
Minha
Janela
Da tal casa tôsca e bela
À qual quis como se fôra
Feita para eu morar nela!

Lá no craveiro que eu tinha,
Onde uma cepa cansada
Mal dava cravos sem vida,
Nasceu essa acàciazinha
Que depois foi transplantada
E cresceu; dom do meu Deus!,
Aos pés lá da estranha casa
Do largo do cemitério,
Frente aos ciprestes que em frente
Mostram os céus,
Como dedos apontados
De gigantes enterrados...
Quem desespera dos homens,
Se a alma lhe não secou,
A tudo transfere a esperança
Que a humanidade frustrou:
E é capaz de amar as plantas,
De esperar nos animais,
De humanizar coisas brutas,
E ter criancices tais,
Tais e tantas!,
Que será bom ter pudor
De as contar seja a quem for!

O amor, a amizade, e quantos
Mais sonhos de oiro eu sonhara,
Bens deste mundo!, que o mundo
Me levara,
De tal maneira me tinham,
Ao fugir-me,
Deixando só, nulo, vácuos,
A mim que tanto esperava
Ser fiel,
E forte,
E firme,
Que não era mais que morte
A vida que então vivia,
Auto-cadáver...

...

Vento suão!, obrigado...
Pela doce companhia
Que em teu hálito empestado
Sem eu sonhar, me chegara!


José Régio

quarta-feira, 27 julho, 2011  

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