quarta-feira, 30 de março de 2011

POEMA POUCO ORIGINAL DO MEDO

O medo vai ter tudo
pernas
ambulâncias
e o luxo blindado
de alguns automóveis

Vai ter olhos onde ninguém o veja
mãozinhas cautelosas
enredos quase inocentes
ouvidos não só nas paredes
mas também no chão
no teto
no murmúrio dos esgotos
e talvez até (cautela!)
ouvidos nos teus ouvidos
O medo vai ter tudo
fantasmas na ópera
sessões contínuas de espiritismo
milagres
cortejos
frases corajosas
meninas exemplares
seguras casas de penhor
maliciosas casas de passe
conferências várias
congressos muitos
óptimos empregos
poemas originais
e poemas como este
projectos altamente porcos
heróis
(o medo vai ter heróis!)
costureiras reais e irreais
operários
(assim assim)
escriturários
(muitos)
intelectuais
(o que se sabe)
a tua voz talvez
talvez a minha
com a certeza a deles

Vai ter capitais
países
suspeitas como toda a gente
muitíssimos amigos
beijos
namorados esverdeados
amantes silenciosos
ardentes
e angustiados

Ah o medo vai ter tudo
tudo

(Penso no que o medo vai ter
e tenho medo
que é justamente
o que o medo quer)

O medo vai ter tudo
quase tudo
e cada um por seu caminho
havemos todos de chegar
quase todos
a ratos

Sim
a ratos

Alexandre O’Neill
Abandono Vigiado

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2 Comentários:

Anonymous Frank Muller disse...

Parece que o tal gestor judicial que veio gerir o património da Selenis Serviços – insolvente -, está a abotoar-se com o fraco património que os abutres deixaram por ca´. Não há por aí ninguém que lhe passe as mãos pelas trombas e lhe deixe a frontaria como o chapéu de um pobre?

Pobres trabalhadores!

quarta-feira, 30 março, 2011  
Anonymous Anónimo disse...

os gestores , sao ums grandes pavoes .....

quinta-feira, 31 março, 2011  

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