terça-feira, 11 de janeiro de 2011

NOITE DO ROUBO

A quem foram roubar os pobres trapos:
A mim, que sou humilde pobrezinho?
Olhem bem que o valor desses farrapos
Está em ter minha avó fiado o linho.

Ó rocas a fiar, contos de fadas!
Eu tinha-lhes amor e a simpatia
Que vem das saudades de algum dia,
Longe, das velhas noites seroadas.

Bragais de minha casa, e as roupas feitas
Por mãos de minha mãe, muito me assusta
Que os tomassem perversas mãos suspeitas.

Ah! mãos do furto, olhai, trazei-me à justa
Os meus linhos — suor dumas colheitas —
E amor dos meus que a mim muito me custa.


Afonso Duarte
Episódio das Sombras

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1 Comentários:

Blogger José Corvo disse...

Tanta verdade contida neste poema.
Roubam-nos tudo, inclusivé o sonho e põem o povo a pagar as dívidas que eles contrairam.
Dão cabo de tudo. Das empresas, do País e das pessoas... E todos os dias fogem milhões para as "Off-Shores" e ninguém faz nada.
Os Amorins para não pagarem impostos em Portugal abriram uma Sede fitícia na Holanda.

sexta-feira, 14 janeiro, 2011  

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